Um Sorriso Não Custa Quase Nada, por Telmo Moraes Pedreira

Escova macia, fio dental e prevenção são os pilares para manter a saúde bucal e evitar procedimentos mais complexos nos dentes

COLUNISTANOTÍCIAS

7/23/20264 min read

Um Sorriso Não Custa Quase Nada. Aqui o básico ainda funciona: escova macia, fio dental e prevenção.

Todos os dias, milhões de brasileiros repetem um dos gestos mais automáticos da vida: colocam creme dental na escova e escovam os dentes. É um hábito tão incorporado à rotina que raramente nos perguntamos se estamos fazendo isso da maneira mais adequada. No entanto, a odontologia moderna tem mostrado que a eficácia da higiene bucal depende menos da força empregada e mais da técnica, dos instrumentos utilizados e da regularidade dos cuidados.

A boa notícia é que manter dentes e gengivas saudáveis não exige equipamentos sofisticados nem procedimentos complexos. Em grande parte dos casos, os melhores resultados continuam vindo de medidas simples, acessíveis e cientificamente comprovadas.

A primeira delas começa pela escolha da escova de dentes. Ainda existe a ideia de que cerdas duras limpam melhor, mas a evidência científica aponta justamente na direção oposta. Escovas com cerdas macias ou extramacias são as mais indicadas para a maioria das pessoas. Elas conseguem remover a placa bacteriana de forma eficiente quando utilizadas corretamente, ao mesmo tempo em que reduzem o risco de desgaste do esmalte dentário e de retração da gengiva, problemas frequentemente associados ao excesso de força durante a escovação.

Também vale observar o tamanho da cabeça da escova. Modelos menores facilitam o acesso às regiões posteriores da boca e permitem uma limpeza mais completa. Outro detalhe importante é a troca periódica. Quando as cerdas começam a abrir, a escova perde eficiência e deixa de exercer sua função adequadamente. Em geral, recomenda-se substituí-la a cada três meses ou antes, caso apresente desgaste evidente.

Entretanto, possuir uma boa escova não é suficiente. A maneira como ela é utilizada faz toda a diferença. Muitas pessoas ainda realizam movimentos rápidos e vigorosos, esfregando os dentes na horizontal como se estivessem limpando uma superfície difícil. Esse hábito, além de pouco eficiente, pode causar danos ao longo dos anos. Não é necessário exercer força excessiva. Pelo contrário: uma escovação delicada, cuidadosa e realizada durante aproximadamente dois minutos costuma produzir resultados muito melhores do que uma escovação apressada e agressiva.

Outro aspecto frequentemente negligenciado é o fio dental. Se a escova limpa as superfícies visíveis dos dentes, o fio dental alcança justamente os espaços onde ela não consegue penetrar. É nesses locais que frequentemente surgem cáries entre os dentes e os primeiros sinais de inflamação gengival.

Aqui deixo uma metáfora que te fará pensar: “A escova limpa as paredes da casa; o fio dental limpa os corredores.”

Outro dado que talvez você nem imagine: Quem escova os dentes, mas não usa fio dental, deixa de limpar cerca de 40% da superfície dentária. Esse é um dado científico baseado no estudo da anatomia dentária e em estudos sobre a remoção do biofilme.& nbsp;

(Existem inúmeros estudos científicos que embasarão esta informação que eu trago aqui).

Nos últimos anos, as escovas elétricas também ganharam espaço. Equipadas com temporizadores, sensores de pressão e movimentos oscilatórios de alta frequência, elas oferecem recursos que podem facilitar a higiene, especialmente para crianças, idosos, pessoas com limitações motoras ou pacientes em tratamento ortodôntico.

Entretanto, é importante compreender que nenhuma tecnologia substitui o cuidado diário. Uma escova elétrica utilizada sem critério pode produzir resultados inferiores aos de uma escova convencional bem empregada. A tecnologia auxilia, mas a disciplina continua sendo o principal fator para uma boa saúde bucal.

Outro tema que costuma gerar dúvidas é o uso dos enxaguantes bucais. A publicidade frequentemente transmite a impressão de que eles seriam indispensáveis para uma boca saudável. Na realidade, os enxaguantes têm indicações específicas e não substituem a escovação nem o fio dental.

Existem produtos bastante úteis para determinadas situações clínicas, como pacientes com maior risco de cárie, inflamações gengivais, uso de aparelhos ortodônticos ou no período pós-operatório. Contudo, seu uso contínuo deve ser orientado pelo cirurgião-dentista, já que diferentes formulações possuem objetivos distintos. Em muitas situações, a agradável sensação de frescor não corresponde, necessariamente, a uma higiene mais eficiente.

Também merece destaque o papel do creme dental. Hoje sabemos que o fator mais importante não é a quantidade utilizada, mas a presença de flúor em concentração adequada. O flúor continua sendo um dos maiores aliados da odontologia preventiva por fortalecer o esmalte dentário e reduzir significativamente o risco de cárie.

No entanto, nenhum desses cuidados produz seu potencial máximo sem acompanhamento profissional. Consultas periódicas permitem identificar problemas em estágios iniciais, quando o tratamento costuma ser mais simples, menos invasivo e mais econômico. Muitas doenças bucais evoluem silenciosamente, sem provocar dor nas fases iniciais, o que reforça a importância da prevenção.

A saúde da boca também não pode ser vista de forma isolada. Cada vez mais pesquisas demonstram sua relação com a saúde geral do organismo. Doenças gengivais têm sido associadas a alterações cardiovasculares, ao diabetes, a complicações na gestação e a diversos processos inflamatórios sistêmicos. Cuidar da boca é, portanto, cuidar da saúde como um todo.

Vivemos uma época de grandes avanços tecnológicos na odontologia, com scanners digitais, inteligência artificial, novos biomateriais e tratamentos cada vez mais precisos. Ainda assim, é curioso perceber que os pilares da prevenção permanecem essencialmente os mesmos: uma escova de cerdas macias, creme dental com flúor, fio dental diariamente, alimentação equilibrada e visitas regulares ao cirurgião-dentista.

E pra finalizar deixo aqui uma impressão minha após tantos anos de vida clínica:

A prevenção é um artifício silencioso, pouco dispendioso e inteligente.

Já o sorriso? Ah, esse é contagiante, envolvente e literalmente de graça.

‘E já que a menor distância entre dois pontos é uma reta, qual seria a menor distância entre duas pessoas? Podemos garantir, de alma lavada e boca limpa: um sorriso’.

Telmo Moraes Pedreira é cirurgião dentista e colaborador do site

Imagem: Criada por IA

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