Semana de debate sobre a polilaminina, para tratamento de lesão medular

A pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio afirmou que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina, por corte de verbas destinadas à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 2015 e 2016

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2/22/20262 min read

Uma substância chamada polilaminina tem ganhado destaque após relatos de recuperação de movimentos em pessoas com lesão na medula espinhal. Apesar da repercussão, o tratamento ainda é considerado experimental e não está disponível para uso amplo no Brasil. Nessa semana, repercutiu muito a declaração da pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, relatando que o Brasil perdeu a patente internacional da polilaminina, por corte de verbas destinadas à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 2015 e 2016. Tatiana pode até concorrer a um Nobel de Medicina, algo inédito no país.

A polilaminina é uma forma modificada da laminina, proteína presente naturalmente no organismo e fundamental para a estrutura dos tecidos e o funcionamento dos neurônios. Pesquisas conduzidas por cientistas brasileiros e divulgadas por instituições como a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro indicam que a substância pode estimular o crescimento de fibras nervosas e ajudar na reconexão de circuitos interrompidos após lesões.

Na prática, a lesão medular impede que os sinais elétricos enviados pelo cérebro cheguem aos músculos, o que leva à perda de movimentos. A proposta da polilaminina é criar condições para que essas conexões sejam parcialmente restabelecidas, permitindo a retomada de funções motoras.

Os primeiros resultados vieram de estudos em laboratório e testes com animais, que mostraram melhora na movimentação após a aplicação da substância. Com base nesses dados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou estudos clínicos iniciais em humanos, etapa voltada principalmente para avaliar a segurança do uso.

Os estudos em andamento, registrados em plataformas oficiais de ensaios clínicos e acompanhados por órgãos reguladores, buscam entender melhor os efeitos da polilaminina, seus riscos e os grupos de pacientes que podem se beneficiar.

A expectativa em torno da substância está ligada ao fato de que, historicamente, lesões medulares têm poucas opções de tratamento com recuperação significativa de movimentos. Ainda assim, pesquisadores reforçam que qualquer avanço precisa ser validado com rigor científico antes de chegar à prática clínica.

Enquanto os testes continuam, a orientação de especialistas é que pacientes e familiares busquem informações em centros médicos de referência e evitem tratamentos fora de protocolos autorizados, já que a segurança e a eficácia da polilaminina ainda estão em avaliação.

Entre os casos que mais chamaram atenção está o do brasileiro Bruno Drummond de Freitas, que recebeu a aplicação experimental da polilaminina após sofrer um acidente de carro em 2018. Com lesão medular considerada completa na região cervical, ele chegou a ser diagnosticado com tetraplegia, mas apresentou evolução progressiva ao longo dos anos.

Segundo relatos divulgados, o primeiro movimento voluntário ocorreu cerca de três semanas após o procedimento, e atualmente ele realiza treinos de reabilitação e é descrito como funcionalmente independente, apesar de ainda ter sequelas. Fontes: G1 e A Bahia Fala