Os ‘Causos’ do Jota: Você Não Vai a Lugar Nenhum, por Pacheco Maia Filho

Eu aguardo o resultado do exame, ouvindo Bob Dylan. É uma graça tá curtindo esse menestrel que tantos toques me deu e me animou em momentos down

COLUNISTANOTÍCIAS

7/29/20261 min read

Eu aguardo o resultado do exame, ouvindo Bob Dylan. É uma graça tá curtindo esse menestrel que tantos toques me deu e me animou em momentos down.

Escuto no fone de ouvido You Ain’t going Nowhere. O título é foda: Você não está indo a lugar nenhum.

Não é bem assim. Entre metáforas surrealistas, o recado de Dylan é para segurar a onda, deixar de ansiedade, tudo tem sua hora.

Esta canção é de uma fase da vida dele em que sofreu um acidente de motocicleta. Aproveitou para abandonar a barafunda em que se transformou a vida dele.

Resolveu sair de cena e se recolher em sua propriedade na região de Woodstock, saindo da agonia de Nova York. Aí foi que o problema eclodiu.

O que ele menos queria para si rolou. O povo achava que ele era o novo messias e um monte de gente foi tirar a paz dele.

Foi lendo uma passagem deste momento da vida de Dylan, em que ele me deu um dos toques. Ele mandou todo mundo pra casa da p*.

Disse que não era responsável por salvar ninguém. Cada um que procure se salvar. O compromisso dele era em salvar a própria pele e cuidar da família, fazendo suas músicas.

Nem lembro quando li isso. Devia ser bem mais jovem. Hoje aos 60, faz tempo. O dito batia com o que já me identificava em pensamentos de outros artistas e pensadores.

Não dá para transferir para ninguém a responsabilidade com a vida que é sua. Embora seja mais cômodo seguir um líder, um padre, um pastor, um popstar e se iludir…

José Pacheco Maia Filho (Jota Júnior) é jornalista, radialista e colaborador do site

Imagem: Criada por IA – Canção: Bob Dylan’s Greatest Hits – Vol. II

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