Os ‘Causos’ do Jota. A Ladeira do Canela, por Pacheco Maia Filho
Há sempre um ‘Pantaleão’ na turma boa da infância. ‘Carteira de Estudante’ era a senha no Canela em Salvador
NOTÍCIASCOLUNISTA
7/14/20262 min read


“Carteira de estudante, carteira de estudante!!!”. Ninguém estava na entrada de um show, espetáculo teatral ou sessão de cinema.
A frase dita e quase gritada em meio a uma risada, fora pronunciada e repetida na rua, para ser mais preciso, numa ladeira.
Era nela em que se finalizava a Rua Marechal Floriano, no Canela, em Salvador.
A turma de jovens costumava se reunir no declive, na porta da casa de Cássio e Olivier ou na mureta que separava a de Pekinho e Oscar da “casa da véia”.
Depois do café ou jantar, ali estava o ponto de encontro para bater papo, tramar aventuras e pilheriar na passagem dos anos 70 para 80.
Ninguém queria saber de novela ou Jornal Nacional. As estórias e notícias eram muito mais divertidas naquelas diárias resenhas noturnas.
“Carteira de estudante! Carteira de estudante!”. As exclamações foram uma reação automática de Pekinho, quando Edgarzinho começou a contar mais uma de suas histórias.
O pedido era uma provocação para que se reduzisse à metade o tamanho da mentira.
Ou melhor a “culhuda”. Esse era o termo usado pela turma para designar as estórias exageradas e fantasiosas.
Edgarzinho tinha fama de ser um notório “culhudeiro”. Não que o título lhe fosse depreciativo. Muito pelo contrário. Reconhecia-se ser um talento dele.
Longe de ser uma censura, a breve intervenção de Pekinho só animava mais o ambiente e estimulava Edgarzinho a ser ainda mais criativo em sua narrativa fantástica e hiperbólica.
Filho temporão de um deputado cassado no golpe de 64, com 14 anos, Edgarzinho já tinha sua Brasília para nos transportar em aventuras pela capital baiana.
Outro craque nas culhudas era Balu. Enquanto Edgarzinho era baixinho, menos de 1,60 m, e troncudo, ele era grande, quase 1,90 m, e gordo.
De família de cacauicultores, Balu estava sempre indo para a fazenda no interior. Quando voltava, não faltavam relatos de um envolvimento amoroso e perigoso com filhas de prefeitos ou delegados.
Noites divertidas, regadas a muitas gargalhadas e aventuras em tempos nem um pouco politicamente corretos…
José Pacheco Maia Filho (Jota Júnior) é jornalista, radialista e colaborador do site
Imagem: Criada por IA
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