O medo de dentista e suas conseqüências, por Telmo Moraes Pedreira
A responsabilidade do cirurgião-dentista deve abranger algo além da dimensão técnica e clínica, alcançando aspectos éticos, jurídicos e sociais
COLUNISTANOTÍCIAS
6/1/20262 min read


A responsabilidade do cirurgião-dentista deve abranger algo além da dimensão técnica e clínica, alcançando aspectos éticos, jurídicos e sociais que impactam diretamente a relação profissional-paciente.
Existe uma relação de empatia entre o cirurgião dentista e o seu paciente, hoje também chamado de cliente por muitos colegas, já que há ali uma relação comercial de prestação de serviço.
Aqui abro um parêntese/aspas. ‘Eu, particularmente, ainda prefiro nomeá-lo como PACIENTE pelo conforto que esse termo me proporciona ao me remeter a um lugar de honra e seriedade que as profissões da saúde trazem por desempenhar o zelo e cuidado pelo que a pessoa tem de mais majestoso, a sua saúde’.
Numa pesquisa mais acurada percebi que há um crescente aumento no número de processos jurídicos envolvendo procedimentos de harmonização orofacial (HOF) após o reconhecimento da especialidade pelo Conselho Federal de Odontologia em 2019.
Há ainda outras situações que podem levar a uma judicialização por descontentamento ou -mais grave ainda- iatrogenia, causada ao paciente após uma visita ao consultório odontológico, dentre elas, as mais comuns são: imperícia, imprudência, negligência, dificuldade de comunicação no pós atendimento, promessa de resultados não alcançados e exposição de informações/imagens do paciente em redes sociais com fins publicitários, sem o consentimento do mesmo.
Sendo dentista, trago esse tema aqui publicamente com o intuito de reverenciar a importância da odontologia como uma profissão que acolhe, promove saúde e bem estar à população. Quando nosso ofício surgiu não existiam consultórios iluminados e confortáveis, ultrassons, anestesia, laseres, scanners e radiografias digitais; havia alguém segurando o rosto com as mãos, atormentado por uma dor que não o deixava dormir.
E do outro lado, uma pessoa que, mesmo com poucos recursos, tentava aliviar aquele sofrimento. Talvez com ervas, talvez com instrumentos rudimentares, talvez apenas com sua presença. Ela (a profissão) nasceu não como uma ciência, mas como uma vontade de cuidar.
Daí a necessidade de uma comunicação eficaz e super detalhada durante a consulta e anamnese, estabelecer planos de tratamento adequados e honestos, ser acessível ao paciente sempre que ele nos procurar, são técnicas e estratégias fundamentais para uma relação fluida e pacífica.
Afinal, quando uma pessoa se senta diante da nossa cadeira de procedimento, acontece algo muito antigo e profundamente humano: alguém confia sua dor a outro alguém.
E essa confiança é um dos insumos mais nobres da nossa profissão.
Telmo Moraes Pedreira é colaborador do site e dentista. CROBA 6670
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