Morre Douglas, um dos maiores ídolos do Bahia

Neste Dia dos Pais, uma nota triste: a morte de Douglas da Silva Franklin. Coluna em homenagem ao ídolo do Bahia, por José Pacheco Maia Filho

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8/9/20262 min read

Douglas: um craque inesquecível, por José Pacheco Maia Filho

Neste Dia dos Pais, uma nota triste: a morte de Douglas da Silva Franklin. Um amigo diria que a lembrança deste nome revela que sou idoso. Kkkkk. Pois é, tenho 60. Sou um sexagenário.

O tempo passou, mas a memória deste grande craque está viva, vivíssima! Para mim, será sempre dele a Camisa 8 do Tricolor de Aço! Bobô tem o seu valor. Conquistou o Brasileirão de 88. Mas Douglas…

Douglas vestiu a camisa do Bahia por nove temporadas, de 1972 a 1980. Ocupava uma posição no time, cujo nome foi até abolido no futebol atual: ponta de lança. Hoje chamam de meia-atacante.

Inesquecível a chinfra que tirava, usando uma fitinha para evitar que as madeixas castanhas atrapalhassem a sua visão. E que visão ele tinha do jogo. Não só para se colocar, receber, driblar e fazer o gol, mas também para servir os companheiros.

Incríveis as tabelinhas dele com Beijoca. Deixavam a torcida em delírio, quando aquela harmonia de toques balançavam as redes adversárias. Eram espetáculos sensacionais naquelas tardes de domingo e noites de quarta.

Depois de 1959, o Bahia foi campeão brasileiro em 88, mas poderia ter sido em 1978. Possivelmente, tenha sido um dos melhores times do Esquadrão. Douglas estava lá com Beijoca, Jésum, Jorge Campos, Fito e outras feras.

Tive a glória de entrevistar Douglas, quando trabalhava no jornal Bahia Hoje, em 1994. Na ocasião, não perdi a oportunidade de perguntar sobre a campanha de 1978 no Campeonato Brasileiro.

Eu estava lá na partida contra o Palmeiras em que o Bahia precisava apenas de uma vitória simples e foi eliminado com o empate em 1x1. A Fonte Nova estava apinhada de gente, como nunca tinha visto antes. A lotação oficial foi de 80 mil pessoas.

Para Douglas, a saída de Beijoca no início da partida por causa de uma chegada forte de um jogador do Palmeiras que o lesionou foi determinante para o Bahia não sair vitorioso.

Concordo! Faltou Beijocão para romper a barreira palmeirense. Douglas perdeu o colega que era a referência de gol do time. Não havia dúvida que o Bahia anteciparia em 10 anos o bicampeonato, mas…

Douglas não foi campeão brasileiro vestindo o manto tricolor, mas conquistou sete vezes seguidas o campeonato baiano numa época em que o nível da disputa era muito superior ao atual e a rivalidade BaVi alcançou seu auge.

Ele estava predestinado a jogar no Bahia. Quando deixou o Santos em 1972, tinha duas propostas. América do Rio ou o Tricolor de Aço. Preferiu vir para Salvador e não pegou o avião que ia para o Rio, que acabou caindo em Petrópolis.

Vivia dizendo que o Bahia salvara sua vida. Tinha uma forte identidade com o clube baiano e sua torcida. Integrava o time do Santos com Pelé em 1968, que aplicou uma das maiores goleadas sofridas pelo Bahia: 9x2.

A Estrela fazia uns jogos de botão de plástico com o retrato dos jogadores no final dos anos 1960. Eu tinha o do Santos e lá estava Douglas entre os craques da Vila Belmiro.

Neste Dia dos Pais, Douglas da Silva Franklin se despediu da gente e, certamente, agora está reunido no panteão dos craques com Pelé, Garrincha, Jorge Campos, Sócrates e tantos outros que tantas alegrias nos deram com a bola nos pés.

José Pacheco Maia Filho (Jota Júnior) é jornalista, radialista e colaborador do site

Imagem: E.C. Bahia Instagram

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