Causos do Jota: Entre Pitangas e Pinaúnas, por José Pacheco Maia Filho

Itapuã! Era lá onde veraneávamos. Vinícius de Morais ainda morava naquela bela casa no Farol

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8/9/20262 min read

Thea* me flagrou catando pitangas na pitangueira do estacionamento da Delycia, na Graça. Delícia no aroma e no sabor acre-doce.

É uma fruta que me transporta no tempo. Me remete aos verões do início dos anos 1970.

Itapuã! Era lá onde veraneávamos. Vinícius de Morais ainda morava naquela bela casa no Farol.

Minha mãe não queria saber de praia, muito menos de casa de praia. Meu pai só alugou uma para um verão. Pelo jeito, ela não curtiu mesmo.

Nos anos seguintes, eu e meu irmão caçula, Francisco, pegávamos carona nas casas que minha Tia Felícia e meu Tio Olival alugavam.

Ficou inesquecível a casa das pitangas. Ali nasceu a minha paixão pela fruta. Havia mais de uma pitangueira no quintal.

A safra naquele verão foi farta. Me deliciei muito e tomei muito banho de mar na Praia da Sereia, onde, na época, poluição passava longe.

O perigo eram as pinaúnas (ouriço-do-mar) nas pedras. Eram abundantes. Bom, porque era sinal de limpeza da praia. Nunca vacilei.

Tragédia mesmo com pinaúna foi longe de Itapuã. No Farol da Barra, no final dos anos 1970.

Não resisti em contar, porque nem foi tanto uma tragédia, mas uma tragicomédia.

A garotada da Araújo Pinho: Eu, Sapo, Gajé e Francisco, nos tornamos pescadores de chincharro, peixe que parece uma piaba ou sardinha.

Nem lembro quem lançou essa ideia, mas o fato é que fomos todos comprar nossas varas, linhas de nylon e anzóis nas lojas da Praça Cayru, ao lado do Elevador Lacerda, no Comércio.

Eram tempos de férias de verão e descíamos a Ladeira da Barra, cada um com sua vara e seu samburá, para pescar chincharro atrás do Farol da Barra.

Nikimba também entrou na onda. Equipou-se, mas trabalhava e só tinha o domingo livre. Era o dia em que nenhum de nós queria ir para a Barra que era um crowd retado.

Só Niki foi naquele domingo. Então. Estávamos jogando botão no Estrelão no rol de onde eu morava, quando ouvimos uma voz em desespero.

Era Nikimba mancando, pedindo socorro a Gajé:

“Sua mãe não é pediatra? Eu estou aqui com o pé cheio de espinhos de pinaúna. Me ajude, irmão! Me leve lá em sua casa para ela ver meu pé“, clamava chorando de dor.

Eram tempos politicamente incorretos e ninguém segurou a gargalhada com a compreensão de Nikimba do que fosse a pediatria.

Virou piada na rua, mas socorremos o velho Niki. Jubinha, uma tia de Gajé, tirou todos os espinhos e Dra Lacy o medicou.

É tempo de pitanga, minha gente!

* Thea é a esposa de Pacheco

José Pacheco Maia Filho (Jota Júnior) é jornalista, radialista e colaborador do site

Imagem: A Bahia Fala – Criada por IA

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